Este livro junta dois textos do historiador britânico E. P. Thompson (1924-1993). O primeiro é o conhecido artigo sobre os usos sociais e históricos do tempo, O Tempo, a Disciplina do Trabalho e o Capitalismo Industrial, no qual se refere ao modo como o capitalismo reinventou o tempo, calculado pela disseminação do relógio, e ajustado aos objetivos dos sistemas de produção industrial, à ordem da “fábrica”, da divisão do trabalho, da produtividade medida em horas. Mas esta nova organização não se impôs sem resistências e adaptações, tanto as inspiradas em padrões culturais e repertórios antigos, como as que expressavam a adoção de novas formas de luta política. No segundo texto - A Sociedade Inglesa no Século XVIII: luta de classes sem classes? , Thompson reavalia o uso do conceito de classe, quinze anos depois de A Formação da Classe Operária Inglesa. Contra interpretações esquemáticas do conceito, que esvaziavam o processo histórico, as suas dinâmicas de transição e o papel dos indivíduos na construção da sua história individual e coletiva, Thompson considera a noção fundamental para identificar padrões de socialização, de prática e representação do mundo, para decifrar a configuração do poder e a estrutura social, a base dos antagonismos sociais e o primado das lutas como fundamento da mudança e da construção dos grupos.
Anterior
Anterior
Memórias de um caçador de lixo
Próximo
Próximo